sábado, 4 de maio de 2024

HIDROGÊNIO VERDE

     


O hidrogênio é o elemento químico mais abundante no Universo, presente em 75% da massa que constitui o cosmo. No planeta Terra, é o terceiro elemento mais abundante na superfície e tornou-se um vetor energético fundamental para um planeta mais sustentável. O método utilizado para obtenção do hidrogênio verde é a eletrólise da água. Ao ser isolado, pode ser usado em segmentos difíceis de eletrificar através das tecnologias convencionais.

O que é Hidrogênio Verde

      O hidrogênio verde é produzido através de fontes de energia limpas e renováveis, como as de matriz hidrelétrica, eólica, solar, entre outras. Deste modo, não há emissão de carbono durante o processo.

   O hidrogênio verde pode ser usado diretamente como combustível em células a combustível (fuel cells), além de servir como matéria-prima para a síntese de outros produtos, como por exemplo amônia verde, aço e metanol. 

   O elemento é considerado fundamental para a transição energética pelo crescente comprometimento internacional com a agenda da mudança climática. O Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU traçaram metas para a descarbonização do planeta. Os signatários projetam que o hidrogênio verde substitua o petróleo e o gás natural e se torne o principal recurso energético até 2050.

Como se produz o Hidrogênio Verde?


     Na planta de hidrogênio verde, sua obtenção é feita a partir da quebra das moléculas de água, por meio de um processo químico chamado eletrólise. Uma corrente elétrica é usada para quebrar as ligações químicas existentes entre o hidrogênio e o oxigênio. Esse é considerado um método verde, desde que a eletricidade utilizada seja obtida a partir de fontes de energia limpas e renováveis.


Como se armazena o Hidrogênio Verde?


    O armazenamento do hidrogênio já conta com processos seguros e minuciosos devido à alta volatilidade e inflamabilidade. Ele pode ser armazenado e transportado, por exemplo, como gás em cilindros pressurizados, como líquido a baixas temperaturas, ou mesmo na forma de amônia. A amônia é produzida combinando o hidrogênio com gás nitrogênio obtido do ar atmosférico. Neste caso, o hidrogênio verde pode ser extraído do composto quando chega no destino, ou pode ser utilizado diretamente na forma de amônia.


Onde o Hidrogênio Verde pode ser usado?


   O hidrogênio pode ser utilizado em sua forma gasosa ou convertido em amônia, por exemplo, servindo como matéria-prima essencial para os setores siderúrgico, de refino de petróleo e fertilizantes. Pode também ser utilizado como combustível para navios, aviação e veículos, bem como, para fabricação do aço verde e metanol verde.


Quais as vantagens e desvantagens do Hidrogênio Verde?


     O uso do hidrogênio verde como chave da transição energética do planeta é sua principal vantagem, mas há outras: Tem grande potencial no setor de transportes, produção de amônia, metanol e aço, além de não ser tóxico.


    Por outro lado, o custo de produção do hidrogênio verdade ainda é elevado, sendo o preço da energia o principal determinante no seu valor. Um outro fator relevante na composição do preço do hidrogênio é o investimento necessário (CAPEX). Eventuais avanços regulatórios, científicos e tecnológicos serão determinantes na contribuição da geração em escala, tornando seu preço mais competitivo. Certificações de descarbonização e redução de emissões também são fatores essenciais para tornar esse produto mais atrativo para o mercado.


Qual a diferença entre o Hidrogênio Verde e o Hidrogênio Azul?


    A principal diferença entre o hidrogênio verde e o azul está no processo de obtenção do elemento e em seu impacto ambiental. A produção de hidrogênio verde leva em conta a utilização de energia limpa em seu processo e não gera emissões de carbono. Já o hidrogênio azul utiliza combustíveis fósseis em sua produção, o que impede a redução da dependência energética do gás metano e leva à emissão de dióxido de carbono.


   Uma das formas de obtenção do hidrogênio azul se dá a partir de compostos como o metano, por exemplo, realizando um processo químico chamado reforma para obter hidrogênio por um lado e dióxido de carbono por outro. As emissões poluentes são minimizadas pela captura do dióxido de carbono de vários processos, resultando em um menor impacto negativo sobre o meio ambiente, no entanto, os sistemas de captura de CO₂ têm uma eficiência de 60 a 65%, e, portanto, uma quantidade entre 30 a 35% de dióxido de carbono ainda são emitidos durante o processo.  Há também o hidrogênio cinza, onde as emissões de poluentes são ainda maiores, e corresponde a maior parte do hidrogênio produzido mundialmente.


      Enquanto o hidrogênio azul emite cerca de 3,5-4 kgCO₂ /kg H₂, o hidrogênio cinza conta com emissão de 10 kgCO₂ /kg H₂. O hidrogênio verde não emite CO₂.


Hidrogênio Verde no mundo


      Os países que estão desenvolvendo os maiores projetos de produção de hidrogênio verde no mundo atualmente são a Espanha, Austrália, Alemanha, Holanda, China, Arábia Saudita e Chile. Existe uma série de projetos que estão sendo planejados ao redor do mundo. 

      Na Espanha, por exemplo, a Iberdrola construiu a maior planta industrial de hidrogênio verde da Europa, com 20MW de eletrólise já em operação desde 2022. Além disso, a Iberdrola também possui uma planta de hidrogênio verde para mobilidade urbana em funcionamento na zona franca de Barcelona, com 2,5MW de capacidade instalada. Na Austrália, existem propostas para a construção de vários projetos em seu território, que conta com recursos energéticos renováveis, especialmente energia eólica e solar. Na América do Sul, o Chile foi o primeiro país da América Latina a apresentar uma estratégia nacional de hidrogênio verde, em novembro de 2020. Além desses exemplos, várias empresas em diversos países, incluindo o Brasil estão trabalhando no desenvolvimento de projetos que possam fazer uso de todo o potencial brasileiro para esse negócio. É esperado que, ainda em 2024, o Brasil seja o país latino-americano referência no desenvolvimento de projetos de hidrogênio renovável.


Hidrogênio verde no Brasil


    Com a maior parte da matriz elétrica baseada em fontes renováveis e a expectativa de expansão do segmento, com o desenvolvimento de novas tecnologias como a eólica offshore, o Brasil tem condições de se tornar protagonista na produção de hidrogênio verde para atendimento à demanda interna e exportação. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do Brasil, em fevereiro de 2021, apontou o hidrogênio verde como um dos temas prioritários para pesquisa e desenvolvimento no país.


     A Neoenergia contribui para o setor elétrico brasileiro, e por meio do departamento próprio de hidrogênio verde, vem assinando memorandos de entendimento para o desenvolvimento de projetos de hidrogênio verde. Por exemplo, até o fim do 1º semestre de 2023 a companhia possuía acordos com a Prumo, holding controlada pela EIG, focada no Porto do Açu, no Rio de Janeiro; com o governo do Rio Grande do Sul, para o Porto de Rio Grande; além dos governos de Pernambuco, do Ceará e do Rio Grande do Norte.

Por que o uso de hidrogênio verde no setor de transportes é relevante no contexto brasileiro?


       Embora no Brasil os veículos leves já contem com a opção do etanol como combustível, considerada neutra em carbono, existe um consumo enorme de combustíveis fósseis de veículos que não são compatíveis com o etanol, como caminhões pesados, ônibus, embarcações e aviões. 


     Para esses nichos específicos do setor de transportes que não podem ser totalmente descarbonizados através dos biocombustíveis, a mitigação das emissões de CO₂ provavelmente virá de uma gama diversificada de soluções, a qual incluirá eletrificação e células a combustível a hidrogênio verde para os veículos cujas características sejam compatíveis com o desenvolvimento tecnológico atual de tais tecnologias. Os combustíveis verdes (derivados do hidrogênio verde) são as versões sintéticas quimicamente idênticas aos combustíveis fósseis, porém produzidos com base em energia renovável e hidrogênio verde, e podem ser usados em mais curto prazo, visto que são compatíveis com as redes de distribuição de combustíveis e com os motores a combustão dos veículos atuais.


    Embora os combustíveis verdes que são compostos também por carbono emitam CO₂ quando queimados nos motores, em seu processo de combustão, o hidrogênio reagirá com o CO₂ capturado de fontes biogênicas ou inevitáveis, o que neutraliza em quase 100% as emissões que ocorrerão após a queima.


quarta-feira, 6 de março de 2024

O NASCIMENTO DA QUÍMICA ORGÂNICA

No século XVIII, Carl Wilhelm Scheele (1742-1786) conseguiu isolar ácido tartárico (C4H6O6) da uva, ácido cítrico (C6H8O7) do limão, ácido lático (C3H6O3) do leite, glicerina (C3H8O3) da gordura, uréia (CH4N2O) da urina etc.

Foi por esse motivo que Torbern Olof Bergman (1735-1784) definiu, em 1777, a Química Orgânica como a Química dos compostos existentes nos organismos vivos, vegetais e animais, enquanto a Química Inorgânica seria a Química dos compostos existentes no reino mineral.

Nessa mesma época, Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794) conseguiu analisar vários compostos orgânicos e constatou que todos continham o elemento químico carbono.

Em 1807, Jöns Jakob Berzelius lançou a idéia de que somente os seres vivos possuiriam uma “força vital” capaz de produzir os compostos orgânicos; em outras palavras, criava-se a idéia de que as substâncias orgânicas jamais poderiam ser sintetizadas, isto é, preparadas artificialmente — quer em um laboratório, quer numa indústria.

Por volta de 1816, essa teoria da Força Vital foi abalada quando Michel Chevreul descobriu que o sabão, preparado pela reação de álcalis com gordura animal, poderia ser separado em diversos compostos orgânicos puros, que ele próprio denominou “ácidos graxos”. Pela primeira vez, uma substância orgânica (gordura) fora convertida em outras (ácidos graxos e glicerina) sem a intervenção de uma força vital externa.


Em 1828, porém, Friedrich Wöhler efetuou a seguinte reação:



Desse modo, a partir de um composto mineral (cianato de amônio), Wöhler chegou a um composto orgânico (a uréia, que existe na urina dos animais); começava assim a queda da teoria da força vital.

Nos anos que se seguiram à síntese de Wöhler, muitas outras substâncias orgânicas foram sintetizadas (acetileno, metanol etc.). Em 1845, Adolphe Wilhelm Hermann Kolbe (1818-1884) conseguiu realizar a primeira síntese de um composto orgânico (o ácido acético) a partir de seus elementos. Desse modo, desde a metade do século XIX, os químicos passaram a acreditar na possibilidade de síntese de qualquer substância química. Abandonou-se, definitivamente, a idéia de que os compostos orgânicos deveriam sempre se originar do reino vegetal ou do reino animal. Em conseqüência, Friedrich August Kekulé (1829-1896) propôs, em 1858, o conceito, que hoje usamos, segundo o qual Química Orgânica é a química dos compostos do carbono.

Química Orgânica é a parte da Química que estuda os compostos do carbono.

A Química Inorgânica (ou Mineral), por sua vez, é a parte da Química que estuda os compostos que não têm carbono, isto é, os compostos de todos os demais elementos químicos. Apesar disso, o número de compostos “inorgânicos” conhecidos é muito menor que o de compostos “orgânicos”.

Em verdade, essa divisão da Química em Orgânica e Inorgânica é apenas didática, pois as leis que explicam o comportamento dos compostos orgânicos são as mesmas que explicam o dos inorgânicos. Além disso, existem substâncias, como, por exemplo, CO, CO2, H2CO3 e carbonatos, HCN e cianetos etc., que são consideradas compostos de transição, pois encerram carbono mas têm propriedades mais próximas às dos compostos inorgânicos.